26/02/2013

Conto dos irmãos Grimm







O Rei Sapo









Antigamente, quando as pessoas ainda ajudavam umas as outras, havia um rei que tinha filhas lindas, mas a mais nova era tão linda que o próprio sol ficava atônito quando brilhava no rosto dela. Perto do castelo do rei havia uma grande floresta escura, com uma árvore cuja sombra abrigava um poço e, quando o dia estava muito quente, a filha mais nova do rei ia até a floresta e sentava-se ao lado da fonte fresca. Para se distrair, ela brincava com seu brinquedo favorito: uma bolinha de ouro que ela lançava para cima e apanhava de volta.
Um dia, a princesa lançou a bolinha para o alto, mas não conseguiu pega-la de volta: ela escapou e foi direto para a água. A filha do rei seguiu a bolinha com seus olhos, mas ela desapareceu porque não se conseguia ver o fundo do poço. Então, a princesa começou a chorar cada vez mais alto, como se nada pudesse confortá-la. Enquanto ela lamentava, ouviu alguém dizer: “Mas o que aflige a filha do rei? Seu choro é tão triste que até uma pedra sentiria pena de você!” Ela olhou em volta e percebeu que a voz vinha de um sapo feio que se esgueirava para fora da água. “Ah, é você, seu velho espalha-água?” ela disse, “eu estou chorando porque a minha bolinha de ouro caiu no poço”. “Não chore”, respondeu o sapo, “eu posso ajudar você. Mas o que você vai me dar se eu devolver a sua bolinha de ouro?” “O que você quiser, querido sapo”, respondeu ela, “minhas roupas, minhas pérolas e minhas joias, até a coroa de ouro que estou usando”.
O sapo respondeu: “eu não me importo com suas roupas, pérolas, joias ou sua coroa de ouro, mas se você gostar de mim e me deixar ser seu companheiro e parceiro de brincadeiras, e sentar à mesa com você e comer em seu prato de ouro, beber em seu copo de ouro, e dormir na sua cama, se você prometer, eu desço no poço fundo e trago sua bolinha de ouro de volta”. “Oh, sim”, ela respondeu, “eu prometo que farei tudo o que você pediu, se trouxer minha bolinha de ouro de volta”. Mas ela pensou: “Como esse sapo bobo fala! Ele vive na água com outros sapos e coaxa, como ele pode ser companhia para alguém?” Quando o sapo ouviu a promessa da princesa, pulou na água e nadou, e em pouco tempo voltou com a bolinha em sua boca, e jogou-a na grama, perto da princesa. Ela ficou maravilhada de ver sua bolinha de ouro outra vez, pegou-a em suas mãos e correu para longe do poço. O sapo disse: “espere, espere! Leve-me com você! Eu não posso correr tão rápido!” Mas de que adiantava o sapo gritar e coaxar atrás dela, o mais alto que ele podia? Ela não ouvia: correu para o palácio e logo esqueceu o pobre sapo, que teve que voltar para o poço outra vez.
No dia seguinte, quando ela sentou-se à mesa do rei com os cortesãos e estava comendo em seu prato de ouro, alguém veio até a porta pela escadaria de mármore e, quando chegou ao topo, bateu na porta e gritou: “Princesinha, abra a porta!” Ela correu para ver quem estava do lado de fora quando e, abriu a porta, lá estava o sapo. Ela bateu a porta e voltou para a mesa muito assustada.
O rei viu que a filha estava assustada e perguntou: “Do que você está com medo, minha filha? Por acaso tem algum gigante lá fora?” “Ah, não” ela respondeu, “não é nenhum gigante, é só um sapo nojento!” “Mas o que um sapo quer com você?” perguntou o rei. “Ah, papai, ontem eu estava na floresta sentada no poço brincando e a minha bolinha de ouro caiu na água. E porque eu estava chorando, o sapo foi busca-la de volta, mas ele insistiu que eu prometesse que o deixaria ser meu companheiro, mas eu nunca pensei que ele pudesse ficar longe da água! E agora ele está lá fora e quer ficar aqui comigo”.
Então ouviram bater na porta outra vez, e alguém chamando: “Princesinha, abra a porta! Lembre o que me disse ontem na água fria do poço! Princesinha, abra a porta!”
Então o rei disse: “Você deve cumprir a promessa! Abra a porta e deixe-o entrar”. Ela foi abrir a porta e o sapo pulou para dentro, direto para o lado da cadeira da princesa e chorou: “Levante-me até o seu lado”. Ela fez de conta que não ouviu, mas o rei ordenou que ela o pegasse. Ela colocou o sapo na cadeira, mas ele quis ser colocado na mesa. Quando estava na mesa, ele disse: “Agora coloque o seu prato de ouro perto de mim para que eu possa comer com você”. Ela fez isso, mas era fácil de ver que foi só por obrigação. O sapo aproveitou o jantar, mas ela parecia estar com nojo da comida. Então o sapo falou: “Eu comi e estou satisfeito. Agora estou cansado. Leve-me para o seu quarto e arrume sua cama com lençóis de seda e vamos deitar e dormir”.
A filha do rei começou a chorar porque ela estava com medo de encostar-se ao sapo frio, e agora ele dormiria com ela em sua cama linda e limpinha. Mas o rei ficou muito bravo e falou: “Ele ajudou você ontem quando foi preciso, agora não pode ser desprezado”. Então ela pegou o sapo só com dois dedinhos, carregou-o para seu quarto e colocou-o em um canto. Quando ela estava deitada, ele foi até o lado da cama e disse: “eu estou cansado e quero dormir, assim como você. Se você não me colocar na cama, vou contar ao seu pai!” A princesa ficou muito zangada, mas pegou o sapo e colocou-o na cama, contra a parede. “Agora fique quieto, sapo nojento!” Disse a princesa. Mas assim que ele tocou na cama, já não era mais um sapo, mas um belo rei de olhar bondoso. Então ele contou a ela que tinha sido enfeitiçado por uma bruxa malvada, e ninguém poderia ter quebrado a maldição, apenas uma princesa, e que no dia seguinte eles iriam para o reino dele e se casariam.
O rei e a princesa foram dormir e quando o sol nasceu na manhã seguinte, uma carruagem com oito cavalos brancos com penas brancas de avestruz em suas cabeças, enfeitados com correntes de ouro veio busca-los, com o fiel servo do rei, Henry, como cocheiro.
O fiel Henry estava tão infeliz desde que seu mestre tinha sido transformado em sapo que tinha colocado três círculos de ferro ao redor de seu coração para que ele não explodisse de tristeza. A carruagem foi conduzida até o reino do jovem rei com a ajuda do fiel Henry, que se colocou à disposição de seu mestre com alegria. Quando eles estavam viajando, o rei ouviu um barulho alto e perguntou ao fiel Henry se algo na carruagem havia quebrado. “Não, mestre”, Henry respondeu, “foram os ferros que coloquei no meu coração quando você foi aprisionado no poço”. Mais duas vezes ouviu-se o barulho dos ferros partindo, e a cada vez o jovem rei pensou que era a carruagem quebrando, mas eram os ferros do coração do fiel Henry que estavam partidos, deixando livre o coração do servo, que estava feliz com a liberdade e a felicidade de seu mestre.